Governo libera R$ 100 bilhões para investimentos

06 de Dezembro de 2012

O governo ampliou em R$ 100 bilhões a linha de crédito para estímulo ao investimento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e baixou, de 5,5% para 5% ao ano, a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), usada pela instituição como referência em todos os demais empréstimos. Trata-se da segunda rodada de medidas anunciadas no esforço de criar uma agenda positiva, depois da divulgação do fraco desempenho da economia no terceiro trimestre do ano.

Com o dinheiro, que virá do orçamento do BNDES, o governo espera elevar em 8% os investimentos, após cinco trimestres consecutivos de queda apurada pelo IBGE. Essa expansão ajudaria o País a crescer 4% no ano que vem, segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Os recursos serão liberados por meio do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), criada em 2009 em função da crise internacional. Agora, o Governo tenta repetir a fórmula. Depois de bater em 7,5% em 2010, o crescimento do PIB caiu a 2,7% no ano passado e neste ano pode ficar abaixo de 1%.

Na prática, os empréstimos do PSI vão oferecer juros negativos, com taxas abaixo da inflação. No primeiro semestre, o financiamento custará até 3% ao ano, subindo para 3,5% a partir de julho. Esse índice vale para a compra de bens de capital, como máquinas e equipamentos, e de máquinas rurais, além de suas peças e componentes. Para empreendimentos de energia elétrica e prevenção de desastres naturais, a taxa será de 5,5%.

Taxa mais alta
Hoje, a menor taxa praticada pelo PSI é de 2,5%, valor definido em agosto pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Portanto, a nova taxa vai significar, em alguns casos, elevação com relação aos níveis atuais. Segundo o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, esse patamar tem impedido que pequenas empresas usufruam do programa, porque os bancos lucram pouco com as operações e tendem a não emprestar. Daí a decisão do governo de um pequeno aumento nos juros, para ampliar o número de beneficiados no programa.

Governo vai arcar
O governo também vai bancar, como de costume, a diferença entre a taxa de juros praticada pelo BNDES e o custo de captação destes recursos, que em geral ronda o mesmo patamar da taxa Selic, hoje em 7,25% ao ano. Desde o início da crise, o Tesouro tem optado por vender papéis da dívida para levantar o dinheiro e “equalizar” a taxa, no jargão econômico.

Dos R$ 100 bilhões do PSI, R$ 85 bilhões virão do orçamento do BNDES. Os R$ 15 bilhões restantes serão depósitos compulsórios que os bancos privados deixam hoje no Banco Central, sem rendimento. As empresas poderão usar o dinheiro para desenvolver projetos de inovação, aumentar capacidade tecnológica, exportar equipamentos entre outras finalidades. (Das agências)

Por quê

ENTENDA A NOTÍCIA

A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que mede os investimentos no País apresentou queda de 2% no terceiro trimestre. Se comparado com o ano anterior, a queda foi de 5,6%. O pacote busca reverter esse quadro.

Saiba mais

Programa de Sustentação do Investimento (PSI)

O PSI é dividido em quatro subprogramas: Bens de Capital, Inovação, Exportação Pré-Embarque e Projetos Transformadores.

Somente o subprograma Bens de Capital teve as taxas de juros baixadas para 2,5% ao ano, para operações contratas até 31 de dezembro deste ano – medida anunciada no fim de agosto.

O PSI faz parte da estratégia do governo de aportar recursos do Tesouro Nacional no BNDES e Respondeu por 93,7% do total desembolsado pelo BNDES nos programas com equalização do Tesouro, segundo o relatório enviado ao Congresso.

Fonte: Jornal O Povo

http://www.opovo.com.br/app/opovo/economia/2012/12/06/noticiasjornaleconomia,2966777/2012-0612ec2810-governo-libera-r-100-bilhoes-para-investimentos.shtml